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OpenAI vai aplicar marca d’água em textos gerados pelo ChatGPT

A marca d’água do ChatGPT usa a tecnologia textGrain, que adiciona um ‘sinal invisível’ no texto, mas contém limitações

06 de outubro de 20263 min de leituraRever Tecnologia

Chegou a vez de a OpenAI anunciar a adição de marcas d’água em textos gerados pelo ChatGPT nesta segunda-feira (5). Os identificadores invisíveis de geração por IA fazem parte da tecnologia “textGrain”, que usa padrões estatísticos para alterar características do texto sem interferir na sua qualidade, e serão aplicados somente em conversas de usuários situados na União Europeia.

Em vez de adicionar caracteres invisíveis, pontuações estranhas ou outros recursos superficiais, o textGrain adiciona um “sinal estatístico invisível” às escolhas de palavras feitas pelos modelos do ChatGPT. Dessa forma, a resposta da inteligência artificial continua com a mesma qualidade de antes, mas com “pistas” que indicam sua origem.

Segundo a OpenAI, o textGrain igualou ou superou o desempenho de outras abordagens testadas, como a SynthID para texto — adotada pelo Google no Gemini. Contudo, mesmo com o bom desempenho em condições ideais, não há garantia de que a detecção seja confiável no uso cotidiano.

Nas próximas semanas, o textGrain será aplicado obrigatoriamente às respostas de texto elegíveis do ChatGPT e do Codex, mas somente na União Europeia. A OpenAI aproveitará o alcance limitado para entender como o identificador se comporta entre usuários reais, mas não deu previsão para a expansão internacional do recurso.

Os textos gerados pelo ChatGPT terão "sinais invisíveis" de que foram produzidos por uma IA.

Os textos gerados pelo ChatGPT terão "sinais invisíveis" de que foram produzidos por uma IA. Foto: Getty Images

A ativação da marca d’água é opcional para clientes da API da OpenAI. Nesse caso, consumidores do mundo inteiro podem ativar o recurso nos modelos compatíveis se quiserem ou se demandado por legislação local.

Em agosto deste ano, a Anthropic anunciou uma solução semelhante para a própria IA. Neste caso, porém, a marca d’água foi aplicada internacionalmente de forma obrigatória em modelos Claude recentes.

Detecção de IA ainda é baseada em estatística

Diferentemente da identificação de imagens geradas por IA, a marcação de textos é baseada em estatística e tem limitações importantes.


A presença da marca d’água não mede a quantidade de contribuição humana
no processo de construção de um texto;

  • A marca d’água não estabelece que o conteúdo é detido ou está sob a responsabilidade da OpenAI;

  • A marca d’água não identifica quem foi o autor humano original do texto;

  • A marca d’água não consegue aferir se o conteúdo é verdadeiro, enganoso, prejudicial ou apresentado no contexto correto;

  • A ausência da marca d’água não necessariamente significa que o texto não foi gerado por IA.

Detectores de IA podem cometer erros

Mesmo com a marca d’água invisível, o detector pode cometer dois tipos de erro — um falso positivo ou um falso negativo. Segundo a OpenAI, os principais desafios são:

  • Textos mais curtos ou mais restritos são mais difíceis de detectar: só 80% dos trechos compostos por 200 tokens foram devidamente detectados; quando o trecho é de 400 tokens, o número sobe para 95%;

  • Conteúdo de matemática: a detecção da marca d’água em textos de matemática foi “substancialmente mais baixa”;

  • Edição enfraquece a marca d’água: em trechos de 400 tokens, a substituição de 10% das palavras por sinônimos reduziu a detecção de cerca de 92% para 66%; a substituição de 25% dos termos reduziu o índice para 17%.

Os detectores de marcas d’água do ChatGPT também foram lançados nesta segunda-feira. Pesquisadores e organizações especializadas na área podem se inscrever na lista de espera, e a OpenAI avaliará cada pedido.

Considerando o risco de mau uso da ferramenta, a OpenAI não liberou o detector de marca d’água para textos do ChatGPT publicamente por enquanto.

Fonte: Estadão/Tecmundo

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